A Polícia Federal deflagrou no município de Uberlândia, em Minas Gerais, a Operação Brinde Facial, que investiga um esquema criminoso especializado na obtenção irregular de financiamentos de veículos. A corporação cumpriu sete mandados de busca e apreensão na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, com o objetivo de reunir elementos sobre o grupo suspeito de capturar dados cadastrais e registros de terceiros para contratar crédito automotivo sem o consentimento das vítimas.

Até a deflagração da operação, as apurações da autoridade policial confirmaram a ocorrência de pelo menos quatro financiamentos veiculares fraudulentos viabilizados por meio desse mecanismo. O avanço das investigações apontou como a estrutura operava, abrangendo desde a abordagem inicial aos cidadãos até a divisão dos montantes liberados pelas instituições financeiras.

Como funcionava a abordagem com falso brinde e coleta de biometria

Conforme as informações divulgadas pela Polícia Federal, os investigados abordavam as vítimas apresentando-se como entregadores de brindes ou de encomendas. Durante o contato presencial, os suspeitos afirmavam que a entrega do pacote exigia a confirmação de recebimento por parte de quem atendia.

Sob o pretexto dessa confirmação, os falsos entregadores capturavam a biometria facial, tiravam fotos e colhiam dados cadastrais completos dos cidadãos. As pessoas abordadas acreditavam que estavam apenas validando a entrega de um brinde, sem ciência de que seus registros seriam utilizados para outros fins.

De posse das fotos e das informações pessoais, os envolvidos davam entrada em contratos de crédito automotivo diretamente em nome das vítimas. Todo o procedimento para obter o financiamento veicular ocorria sem nenhuma autorização das pessoas cujos dados haviam sido captados.

Destinação dos valores e identificação das operações ilícitas

Segundo o inquérito da Polícia Federal, o dinheiro decorrente das contratações irregulares não permanecia centralizado. As investigações demonstraram que os recursos obtidos por meio dos financiamentos eram repassados, fracionados e distribuídos entre indivíduos ligados ao núcleo investigado.

Essa dinâmica de pulverização financeira era empregada para dividir os valores obtidos com o crédito entre as pessoas associadas ao grupo. Até o momento, quatro operações de crédito fraudulentas foram oficialmente identificadas pela apuração da polícia no município mineiro.

Enquadramento penal e desdobramentos da apuração

Os alvos da ação policial deflagrada em Uberlândia poderão responder perante a Justiça por crimes específicos vinculados à contratação irregular de recursos e à organização do grupo:

  • Obtenção fraudulenta de financiamento: imputação relativa à contratação de operações de crédito mediante uso de informações, documentos ou biometria de terceiros sem consentimento;
  • Associação criminosa: referente à articulação estável entre os envolvidos para a prática continuada das fraudes financeiras.

O cumprimento dos sete mandados de busca e apreensão visa fornecer novos subsídios materiais à investigação da Polícia Federal, permitindo verificar a dimensão total das movimentações e apurar se outros contratos de financiamento de veículos foram emitidos por meio do mesmo esquema.